Ah, os muros do condomínio... Eles são as cercas refinadas, elegantes, erguidas com cimento e medo. Altos, sólidos, cravejados de câmeras e cercas elétricas, proclamam proteção, mas sussurram isolamento.
Os muros são mais do que barreiras físicas; são símbolos de um mundo fragmentado. De um lado, quem tem; do outro, quem não tem. Mas ambos, paradoxalmente, são prisioneiros. Os de dentro, da vigilância e da paranoia; os de fora, da exclusão e da distância.
Dentro dos muros, as ruas são calmas, os jardins são verdes, e os sorrisos são protocolares. A liberdade parece completa, mas só até o portão de segurança, onde o mundo "lá fora" se torna ameaça.
Os muros não protegem apenas contra os outros; protegem contra o desconforto de encarar a desigualdade, a realidade crua. Eles garantem que, ao olhar pela janela, só se veja o lado certo da paisagem.
E assim, os muros crescem. Cada vez mais altos, mais sofisticados. Mas, como as cercas do galinheiro, eles não evitam que a alma, inquieta, pergunte: "Será que sou mesmo livre, ou apenas um pássaro que canta na gaiola dourada?"
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