sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Reflexões sobre Paracuru: Memórias de um tempo de pesquisa e belezas naturais

 Reflexões sobre Paracuru: Memórias de um tempo de pesquisa e belezas naturais

Fazia tempo que não via o vermelho ferruginoso dos beachrocks de Paracuru. O contraste vibrante com o azul profundo do mar sempre me fascinou. A sensação do vento suave, o frescor do sal no ar, e o pôr do sol tingindo o horizonte com tons de laranja e rosa carregam em si uma calma e uma nostalgia que não se explicam apenas pela beleza da paisagem.

Lembro-me dos dias em que trabalhei como pesquisador no Laboratório de Geologia e Geomorfologia Costeira e Oceânica (LGCO) da UECE. Era nesses momentos, ao olhar para a vastidão do mar e os recifes, que a ciência se tornava mais do que dados e medições – se tornava uma conexão profunda com o ambiente. O mar, as rochas e o vento pareciam me convidar a compreender não apenas a geologia, mas a história, o tempo e as transformações naturais.

O cheiro do mar é sempre o mesmo, salino e refrescante. Lembro-me de caminhar ao longo da praia, absorvendo o silêncio e a serenidade do local, refletindo sobre como o tempo passa e sobre as pequenas e grandes mudanças que a natureza impõe. Em cada rocha, em cada ondulação, havia uma narrativa silenciosa do que foi e do que está por vir.

Paracuru é um lugar de aprendizado e recordações – um testemunho da minha trajetória como geógrafo e pesquisador. Mais do que dados e estudos, o LGCO me ensinou a ver e sentir a paisagem, a perceber a natureza em toda a sua complexidade e a valorizá-la como parte fundamental da nossa existência.

Hoje, ao retornar a esse cenário, encontro em cada praia, em cada pôr do sol, uma conexão viva com os saberes que construí e com as lembranças que me formaram. É como se, ao observar o mar, eu revivesse momentos de um tempo bom, quando a pesquisa e a paixão pela geologia se fundiam com a beleza inconfundível de Paracuru.




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